PRELIMINARES CONSIDERAÇÕES


As relações amorosas têm muitas versões, bem sabemos.
Amor, paixão e atração sexual são algumas delas, que movem nossa escolha por compartilhar a vida de alguma forma com alguém.
Ainda que se relacionem, tudo indica que esses são três sentimentos diferentes: por estranho que possa parecer, há amor sem paixão, paixão sem amor, paixão sem desejo, amor sem desejo, desejo sem amor...
A cultura predominante insiste em fazê-los coincidir e isso só tem nos confundido, acho.
Vejamos.
Atração sexual é o quê? Aquele intenso desejo pelo outro? Ora... podemos desejar as pessoas e não necessariamente amá-las.
E paixão? Aquele estado inaugural de alguns relacionamentos que – defendem os estudiosos e revidam os apaixonados – não passa nunca de um ou dois anos? Aquele estado maravilhoso provocado por um misto de encantamento, visão distorcida e projeção de nós mesmos no outro? Dizem, não é de hoje, que isso não é amor – embora possa vir a ser.
E o amor? O que é, afinal? Esse parece ser o difícil... Porque – perdoem os mais românticos – não se trata de um estado que simplesmente nos atravessa de repente, é uma construção afetiva que demanda investimento, muito. Diz a sabedoria que amar implica fazer o outro feliz. Que o amor se revela em atos de desprendimento, de agrado, de cuidado com o outro – sem que isso signifique submissão e negação de si mesmo. Seria isso?
Se for, de fato, desejo, paixão e amor são afetos diferentes...
Quando me apaixono, estar com o outro me interessa porque me completa, me satisfaz... porque ‘eu preciso’. Também é assim quando desejo – o que em geral coincide.
Mas quando amo, me interessa estar com o outro se isso lhe faz bem. E talvez tenhamos de admitir que o amor é essencialmente piegas. E raro. E valioso. E esteticamente melhor.
Conclusão?
Nenhuma, por ora.
Apenas essas idéias. E a certeza de que a melhor versão é amor-e-desejo-igualmente-correspondidos. Afinal, tal como o disse Anaïs Nin, ‘somente o pulsar unido do sexo e do coração pode criar o êxtase’.
Está aberta a palavra para compor estes fragmentos.
Vocês podem opinar no espaço dos Comentários ou me enviar um recado dizendo que pretendem postar um texto mais longo, que então eu entro em contato para recebê-lo.
Penso que assim será possível produzir coletivamente um discurso amoroso que – quem sabe? – ilumine a compreensão sobre os nossos afetos.


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INTRODUÇÃO

Recentemente ganhei de um grande amigo um livro chamado ‘A arte de escrever cartas’, organizado por Emerson Tin, e lá no início da página 17 se lê que durante mais de dois mil anos escrever cartas foi o principal meio de comunicação a distância, que a carta torna os ausentes presentes.
O fato é que em pouco tempo, a Internet trouxe outras possibilidades e as formas de comunicação se potencializaram, transformou-se a dimensão de ausente-presente. O que importa, na verdade, é o que move a mão que escreve e o olho que lê: o desejo de estabelecer diálogos. Seja por carta ou pela Internet ou de algum outro modo.
Este espaço se pretende uma plataforma de lançamento ao diálogo.
Disse o velho Nietzsche que ‘tudo o que é pensado por muito tempo torna-se suspeito’. Se é mesmo assim, aqui se poderá fazer o exercício do livre-pensar-acima-de-qualquer-suspeita. Porque, diferente de uma tese, um livro, um tratado, este se pretende apenas um portador de idéias a abordar. Sem nenhum compromisso com conclusões que perdurem por muito tempo – a menos que não reste alternativa.
A pauta principal do diálogo? As relações amorosas – o amor, a paixão, o desejo, o interesse de estar com o outro, a princípio tomados como sentimentos mais ou menos distintos, apenas às vezes coincidentes.
Muito já se falou sobre isso. Mas não parece demais retomar.


RESGATE HISTÓRICO:

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REFERÊNCIAS:

=> Chiaroscuro - fragmentos de um discurso amoroso sobre a cidade
Era uma vez minha casa...
Como uma boa menina
Houaiss
As peripécias d'além mar
Jakutinga
Blog do Vicente Maia
Araguaí Garcia
Contardo Calligaris








GRANDES E PEQUENOS DESEJOS

Estamos tão acostumados a desejar pequeno

que desejar grande nos parece ser uma patologia

Contardo Calligaris - FSP 03/03/2011


Os adolescentes de hoje me parecem desejar de maneira tímida. Como já escrevi, surpreende-me que eles desejem pequeno.
De fato, poderia estender essa constatação aos adultos de hoje. Não que eles deixem de desejar (isso só acontece em raras depressões graves), mas há, aparentemente, uma preferência contemporânea generalizada pelos desejos pequenos. Cuidado: um desejo não é pequeno porque seu objeto seria pouco relevante.

Tomemos, por exemplo, "Maria está a fim de cerejas" e "Antônia quer o fim de todas as guerras". Será que o desejo de Antônia é grande e o de Maria pequeno? Nada disso.

Melhor nunca comparar desejos por sua suposta "nobreza" -até porque essa tal "nobreza" pode esconder motivações bem mais torpes do que uma saudável vontade de cerejas. Então, como diferenciar desejos grandes e pequenos?

Pois bem, há desejos fluidos, suscetíveis de infinitos deslizamentos, como se, de alguma forma, o objeto desejado fosse indiferente. Esses são desejos pequenos.
Por exemplo, estou a fim de uma calça nova. Entro na loja e o tamanho 39 está em falta. Olho ao redor de mim e acabo comprando duas camisas que não têm nada a ver com a calça que eu desejava.

Quero rever "Cisne Negro", mas a sessão está lotada; nenhum drama, compro ingresso para "Bruna Surfistinha" (incidentemente: me dei bem, amei o filme). Também posso querer o fim de todas as guerras e, ao ver na TV uma ação do Greenpeace, decidir que de agora em diante só me importa o destino das baleias. Nesse caso, por se revelar facilmente substituível, o fim de todas as guerras é um desejo pequeno.

Há um outro tipo de desejo, mais incômodo, que não admite a substituição. Quero circum-navegar a Terra de veleiro, quero vingar meu pai, quero produzir uma obra, construir um império, rezar em silêncio no deserto, comer cerejas a cada dia: se eles forem insubstituíveis, se sua insistência moldar nossa vida, esses desejos são grandes porque eles nos definem.

O desejo pequeno é ideal para uma sociedade que conta com o consumo para alimentar a produção e organizar as diferenças sociais. Desejos substituíveis garantem que a gente seja sempre levemente insatisfeito e levemente desejante, esvoaçando de objeto em objeto como uma abelha num campo de flores.

Quanto ao desejo grande, que já foi ideal dominante, ele é hoje raro na prática, mas (anúncio de uma mudança dos tempos?) a sedução que ele exerce está crescendo.

Como Mônica Waldvogel (no "Entre Aspas", da Globo News, na última quinta) e o crítico da Folha Inácio Araújo (na Ilustrada de domingo), reparei que a safra do Oscar deste ano é peculiar: quase todos os filmes indicados ilustram desejos grandes.
Estamos tão acostumados a desejar pequeno que desejar grande (e pagar o preço disso) nos parece ser um comportamento patológico (o cara enlouqueceu, está obcecado) ou, então, sinal de crise (os EUA devem estar muito mal se eles precisam idealizar esses heróis que desejam grande).

Penso o contrário: patológico é desejar pequeno. E, se os Estados Unidos estão gostando de heróis que sonham grande, talvez eles estejam saindo da futilidade dos anos 90: o sinal não seria de crise, mas de saída da crise.

Recentemente, vários leitores e leitoras me perguntaram por que não escrevi sobre "Cisne Negro", que (alguns notaram) é um prato cheio para um psicanalista. Pois é, amei o filme e concordo com a ideia do prato cheio, mas acontece que, no filme, o que me comoveu não foi tanto o desabrochar da loucura quanto o heroísmo do desejo de perfeição da protagonista -um desejo grande.

Falando em desejo grande, "Bruna Surfistinha", que estreou na última sexta, é outro exemplo. O filme de Marcus Baldini não é uma apologia nem uma crítica moralista da prostituição: é um filme sobre o difícil e tortuoso caminho de alguém que quis ser livre. É a história de um desejo grande. 

DESPEDIDA
Quase na hora em que Moacyr Scliar estava nos deixando, alguém postou no Twitter uma frase minha: "A literatura é o catálogo das vidas possíveis". Pois bem, pensei, os escritores deveriam ter o direito de continuar vivendo em qualquer uma das histórias que estão sendo e serão escritas por outros até o fim dos tempos. Numa delas, um dia, aliás, espero me reencontrar com Moacyr, para rir, contar casos insólitos e evocar lembranças de Porto Alegre.


- Postado por: às 11h49


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Outras Des|Amorosas

(des)|Amorosas 21 - Cruel ironia da vida: quando reencontrou sua princesa depois de anos, o cavalo branco havia sumido, a armadura se enferrujara e ele trazia o coração ferido por repetidas batalhas... Mesmo assim, conseguiu trazê-la à luz e acender, para todo o sempre, o seu amor adormecido. [D.I.]

Des|Amorosas 22 - Ele encarava o batente, o bandido, a luta, o luto, o desafio que fosse, mas era incapaz de encará-la e dizer o quanto a amava com o seu melhor amor.

Des|Amorosas 23 - Aparentemente sem perceber, ele se casou com uma moça em busca de um pai para os filhos que sempre desejou e que, mãe amorosíssima, não tinha tempo de ser sua esposa. Como se não bastasse, passou a vida afirmando que ela era, com certeza, a mulher da sua vida.

Des|Amorosas 24 - Ele era uma criatura rústica. A ele a moça atribuía delicadezas, a bem da verdade, pouco evidentes a olho nu. Ele andava sempre na frente, levantava da mesa tão já terminasse o prato, não falava espontaneamente as palavras mágicas, tinha um certo hábito de desagradá-la, não respondia suas perguntas, irritava-se por ela não adivinhar pensamentos, ocupava-se com coisas mais relevantes, dentre outras tantas assim. Com o tempo ela desistiu de atribuir a ele as delicadezas que seu desejo criou. Um belo dia, fugiu com sua imaginação e diz a lenda que foram felizes para sempre.

DesIAmorosas 25 - Ela chorava porque a dúvida era dolorida. De qualquer forma, sofreria. Mas, qual sofrimento desejava? Nem ao menos isso ela sabia! Escolher viver amores é como nos começar de novo. [Adriana Alves]

DesIAmorosas 26 - Ele era uma “lampida”, ela uma mariposa. Como poderia viver todos os dias de sua vida sem aquele beijo? Com certeza o seu desejo não seria mais o mesmo, e desta vez nem o mar poderia curá-la. [Adriana Alves]

Des|Amorosas 27 - Ele tinha complexo de inferioridade, além, é claro, do de Édipo. Passou anos contando a ela o quanto sua mãe, dona de casa, era perfeita. Enquanto ela foi à Universidade, ele arrastava sua vidinha, sem vontades que  ultrapassassem a rua em que morava. No dia em que ele disse a ela que a carreira escolhida por ela era coisa de dondoca, ela decidiu que era chegada hora de ele se casar com a mãe dele. [Adriana Dias]

Des|Amorosas 28 - Ele elogiou seu cabelo. O flerte causou impacto, já que com o coração em farrapos ela havia decidido repaginar o visual, inaugurando naquela noite a cor e o corte. Ele, de coração partido, sabia exatamente como ela se sentia. Quanta sensibilidade! Por onde ele havia andado? Aquele 'homem de verdade' foi saboreado por três semanas. Desapareceu pelas três seguintes. Reapareceu na véspera de Natal com um urso de pelúcia numa mão e um punhado de insensibilidade na outra. [Adriana Dias]



- Postado por: às 11h36


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FRAGMENTOS DE TEXTOS

Caros,

Ando mais por ali pelo Facebook e pelo blog de textimagens do que por aqui, mas isso é circunstancial.

É que lá os textos são mais curtos e tomam menos tempo, coisa que a gente nunca tem...

Bem, a série Invenções Humanas, do Facebook, foi temporariamente finalizada quando chegou a 100 e agora a que está em curso é a Des|Amorosas, cujas primeiras seguem aqui.

O desafio desta série agora é escrever histórias de amor e desamor em no máximo 420 caracteres, que é o limite das mensagens do Facebook.

Vejam como fica...

Des|Amorosas

Des|Amorosas 1 - Ela dava o script o tempo todo pra ele saber direitinho como devia funcionar (com ela principalmente). Pra agradá-la ou não criar caso, embora nem sempre à risca, ele cumpria lá a seu modo. Pra ela tava bom assim. Um dia, por alguma razão, ela não deu a ele o papel... E o que viu, assombrada, foi um inexplicável estranho no ninho.

Des|Amorosas 2 - Ela era tão interessante, tão perspicaz, tão divertida, tão generosa, tão tudo, que perto dela ele se sentia ninguém. Um belo dia ele foi embora e passou o resto da vida arrumando outras menos, bem menos, do que ela. Assim, ficaram todos infelizes para sempre: ela, ele e as outras todas.

Des|Amorosas 3 - A moça sempre foi louca pelo cidadão até que um dia descobriu uma coisa meio incompreensível entre ele e uma outra moça. Mandou-o embora na hora. Mas ele está lá em casa até hoje, e isso já faz há anos. A moça, desgostosa, diz que não consegue fazê-lo sair...

(des)|Amorosas 4 - Eles se perderam um pouco pela vida mas depois de algum tempo se reencontraram em um jardim suspenso clareado de lua. Nessa noite, deram um ao outro o que tinham de melhor e nem sabiam: um beijo de saudade infinita que os arrebatou daí por diante para todo o sempre. Hoje namoram outra vez e ficam assoprando juras por aí aos quatro ventos. É como dizem: O amor é lindo!

Des|Amorosas 5 - Eles eram assim praticamente almas gêmeas, no sentido de ter muitas afinidades, as maiores possíveis, aquelas necessárias de se ter para compartilhar a vida. Mas não suportavam compartilhar a vida porque isso exigia deles muito mais do que eram capazes de ser.

Des|Amorosas 6 - Eles não compartilhavam nada. Só o fato de estarem no mesmo lugar, na mesma hora. E ele achou coisas dela que não teve tempo de confirmar. E ela pensou por uns segundos que ela não era exatamente o tipo dele. Mas ele fez um daqueles gestos únicos e por uma brecha infinitesimal de tempo ele pareceu o ideal de futuro que ela tinha. Faz séculos que são casados com a renúncia. Ou não. [Maíra Libertad]

Des|Amorosas 7 - Uma bela noite ele chegou de surpresa com um buquê todo arrumado, quando ela nem sabia o que aquilo podia significar... Depois foi enchendo-a de mimos até que ela achou que 'é, sim, talvez pudesse ser' e aceitou namorar. O moço quis saber tudo da vida dela, suas escolhas e tal. Assim que o namoro se afirmou, ele recuperou a indelicadeza peculiar e desse modo permaneceu para todo o sempre. Sem ela.

Des|Amorosas 8 - Ele era o galã do baile – no palco e no salão. Estrangeiro, falava com aquele sotaque que estremece as mocinhas. Ela se apaixonou, claro, que se encantou com o bailado, o estilo e os assuntos dele. Casaram-se logo e não tardou a acontecer o pior: compartilhar a vida mostrou aos dois que ele não era bem assim... E daí, ressentido, ele nunca mais dançou com a moça, que foi embora para todo o sempre.

Des|Amorosas 9 - Ele fazia todos os gostos dela, de todo tipo, fossem quais fossem. Por anos ela foi tratada 24 horas por dia como uma rainha e era feliz. Um dia ele foi embora com dinheiro, cartão de crédito e uns poucos objetos de valor. E até agora ela não entende o que aconteceu.

Des|Amorosas 10 - Ela havia descasado e andava muito bem com a nova vida. Daí foi com a irmã ao cartomante e consultou-se também, por via das dúvidas. O cidadão disse a ela 'amiga, prepare-se que o homem de sua vida está vindo'. Ao que ela, respondeu 'claro que não, este aí eu já encontrei'. E então aconselhou-a: as cartas não mentem jamais! Ela, que não tinha nada a perder, acatou. Há mais de 6 anos espera.

 



- Postado por: às 10h00


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[Cont]

Des|Amorosas Express: Estão chegando histórias de vários autores para serem publicadas nesta série. Mande a/s sua/s também.

Des|Amorosas 11 - Ela havia esperado o príncipe por tanto tempo… aquele para ficar ao lado até os cabelos branquearem. E como nos contos de fada, desgraça moderna, achou que o encontro que acontecera seria para a vida inteira… bobagem. O dia a dia revelou o que a paixão velara… e também um filho. Então desistiu e quando desistiu de vez chegou o derradeiro… ela mesma. [Tatiana Fecchio]

Des|Amorosas 12 - Por dez dias e dez noites, a donzela conviveu com o moço que veio de longe em seu cavalo alado e se encantou com o que, a ela, ele ia se revelando. O tempo todo pensava ela se aquela criatura maravilhosa de fato seria real. Que, afinal, quase tudo que esperava encontrar em alguém ali estava, bem diante dela, sem que nem soubesse que viria. A moça concentrou a atenção na prudência de ouvir e ver. Ele lhe contou sobre quem era, sobre os seus sonhos, sobre sua vida, sobre os desafios que lhe aparecem nas curvas escuras do caminho. Ela nada fez, a não ser ouvir e ver e responder suas perguntas interessadas. Passados dez dias, ele partiu, com a promessa de que voltaria com o presente que ela pediu. Nunca mais veio, e já se passaram anos... As notícias que chegaram são de um homem bem parecido, mas só de fisionomia: o moço que lhe encantou sumiu para sempre e hoje ela sabe muito bem o que pode a sua imaginação...

Des-Amorosas 13 - Ela aprendeu que amor é essencial, desejou envelhecer com um grande homem e tentou com alguns um relacionamento para sempre. Casou e descasou duas vezes, teve filhos, amou, sofreu, viveu. Hoje tem um novo parceiro. E aprendeu que os amores são temporários, perdeu o medo de ser só e é feliz por saber que pode mudar a história outra vez, ainda que precise quebrar uns cristais. [Kathia Diniz]

Des|Amorosas 14 - Depois do terceiro, ao qual ela deu a mão, já não haveria a possibilidade de outros. Ainda assim foi longo o caminho a percorrer até perceber que o encontro marcado estava dela para ela mesma… carro sem a necessidade de co-piloto. Pois então foi que ficou divertido… como passou a ser tão saborosa a distância nos encontros. [Tatiana Fecchio]

Des|Amorosas 15 - Muda para minha cidade? Mudo. Você pode trabalhar ali perto? Posso. E a gente pode ter um filho? Pode. Você passa a acreditar em Cristo? Ah… isto não vai dar. Foi então que o chuvisco se fez tempestade e o devir perfeito se transformou em pesadelo. Ele tinha um plano secreto: queria catequiza-la. Mas afinal, de quem ele gostava mesmo? [Tatiana Fecchio]

Des|Amorosas 16 - Todos os homens que passaram por sua vida disseram que ela era a mais incrível das mulheres. Casaram-se todos com outras.

Des|Amorosas 17 - Bem, se todos os homens que passaram por sua vida disseram que ela era a mais incrível das mulheres e casaram-se com outras, responda:
(A) Eles estavam enganados - ela não era nada disso.
(B) Eles estavam enganando a moça para agradá-la e fazer um tipo.
(C) Ela não queria casar com nenhum.
(D) Mulheres incríveis não são para casar.
(E) Eles não suportariam se casar com mulheres assim.

Des|Amorosas 18 - Você acredita em Cristo? – Não. – E na alma? – Não. – E em Deus? – No meu acredito… de uma forma diferente; mas faço o bem, acho mesmo que até mais do que muitos cristãos. Não foi suficiente, era rompimento na certa; e para completar o moço cristão foi ao mecânico alterar o contagiro do carro para pegar um valor maior na revenda. Salve, salve!! [Tatiana Fecchio]

Des|Amorosas 19 - Você é fiel a mim, desejei saber – Não quero falar disto, disse ele. – Mas já ficou com outra pessoa enquanto estávamos juntos? – Porque você se importa com isto, o amor não é posse, é doação, não é controle, é confiança… bliblibli – Sei. Então se eu ficar com outra pessoa enquanto estamos juntos não tem problema, bacana! Pausa. [Tatiana Fecchio]

Des|Amorosas 20 - Ele a amava, mas era casado com outra. E a moça queria casar, porque acha amoroso compartilhar cotidiano. Quanto mais o tempo passava, menos ele conseguia se livrar do emaranhado que criou para a própria vida e mais ela se entristecia. Foi quando ele teve que decidir se, por amor a ela, desistiria dessa história ou se, por estar apaixonado, proporia mantê-la oculta. 

A série é aberta e vocês podem também enviar as suas histórias, que serão publicadas em seguida. Basta que respeitem a identidade das pessoas (pois são todas histórias reais) e o limite de caracteres, essa inovação moderna. rs

grande abraço

http://www.facebook.com/profile.php?id=100000740921648 | http://chiarosscuro.blogspot.com/

 



- Postado por: às 09h57


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http://chiarosscuro.blogspot.com/

 

Velha prece para o ano novo

Parar para pensar, 
Parar para olhar,
Parar para escutar, 
Pensar mais devagar, 
Olhar mais devagar,
Escutar mais devagar,
Parar para sentir, 
Sentir mais devagar, 
Demorar-se nos detalhes, 
Suspender a opinião, 
Suspender o juízo, 
Suspender a vontade,
Suspender o automatismo da ação,
Cultivar a atenção e a delicadeza,
Abrir os olhos e os ouvidos, 
Falar sobre o que nos acontece, 
Aprender a lentidão, 
Escutar aos outros, 
Cultivar a arte do encontro,
Calar muito, 
Ter paciência 
E dar-se tempo e espaço. 

[Texto de Jorge Larrosa, transformado em oração]



- Postado por: às 13h00


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Vá ver

http://chiarosscuro.blogspot.com/



- Postado por: às 12h55


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QUAL VIDA VALE MAIS?

http://www.youtube.com/watch?v=_aPYuKiKFMg



- Postado por: às 12h35


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QUEM SÃO ESSES JOVENS?

 

Caros,

Postei hoje no facebook a 89ª Invenção Humana, que é esta (desta vez, no conjunto, uma produção coletiva da minha família):

Tem gente que está achando que (se temos compromisso com a formação ética de crianças e jovens – porque somos pais, educadores ou formadores de opinião ou tudo isso) estamos diante de um problema grave que foi evidenciado pelo processo eleitoral do qual acabamos de participar.

Então, vamos pensar um pouco.

Abrir bem os olhos e as cabeças e pensar no que está acontecendo ou pode vir a acontecer.

Leram sobre a desqualificação do voto dos pobres e não acharam que aquilo era realmente pertinente.

Falaram empolados sobre assistencialismo e bolsa família e chegaram a resmungar sobre como são aplicados os impostos pagos "por nós".

Argumentaram que o Lula é analfabeto, despreparado, sem diploma universitário, mas não enxergaram qualquer preconceito de classe ou xenofobia nesse pensamento.

Acreditaram que não fazia a menor diferença eleger Serra ou Dilma, porque não havia qualquer diferença entre eles ou o que e quem representam.

Decidiram que era coerente se isentar agora (neutralidade, independência), esperando por um 2014 melhor (e verde), usando argumentos sustentáveis.

Em uma eleição em que igrejas e homens de deus se levantaram a tomar posições “políticas”, em que se pôde assistir o ressurgimento com pompa e circunstância de grupos como TFP e Opus Dei, em que “meninas bonitas”, “sapatão”, “canhão”, “vagabundos”, “assassina” e outras gentilezas estiveram à solta nos discursos e redes sociais, em que a imprensa e seus peritos criaram fatos e fotos, em que a história recente da ditadura e seus torturados, desaparecidos e mortos foi esquecida ou deturpada, consideraram que não havia melhor nem pior.

E, enfim, que não haveria maiores repercussões em pender um pouco de nada à direita (“é tudo a mesma coisa mesmo” ou, ainda, “não existe esquerda e direita”), sob argumentos os mais diversos.

Agora, em tempos de internet dando voz aos pensamentos, podemos assistir de nossas casas um rebote de dar medo. Jovens (bem jovens) falando em matar nordestino, usando discursos separatistas, falando de sujo, de feio, de mal cheiroso, de cabeça chata, ignorantes, filhos da puta, burros, porteiros, empregadas domésticas, miseráveis que só sabem procriar, câncer do país, em jogar bomba, botar fogo, afogar...

Não tomar posição é tomar posição.

Sigamos neutros, porque nada disso nos afeta ou nos importa.

Confiram:

http://kioshi.blogspot.com/2010/11/xenofobia-no-twitter-contra-nordestinos.html

http://xenofobianao.tumblr.com/ 

PS: Vocês não acham que certas coisas perigosas crescem em progressão geométrica e, de repente, uns contra os outros?

PS2. E vejam que, como hoje sabemos, com ou sem o Nordeste o resultado das eleições seria o mesmo...

PS3. Em que famílias será que vivem esses jovens, que grupos frequentam, em que escolas estudam? 

 



- Postado por: às 00h03


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que as crianças cantem livres sobre os muros

http://www.youtube.com/watch?v=Mmy9MpwyKnQ



Toda criança nasce com direitos humanos inalienáveis.

Desde 1946, a Unicef tem contribuído para garantir estes direitos, agora consagrados na Convenção de Direitos da Criança.
Gente de todos os países, todas as culturas, todas as religiões está trabalhando para assegurar a 2,2 bilhões de crianças do mundo o direito à sobrevivência, o direito à saúde, o direito à educação, o direito a um ambiente familiar acolhedor, o direito de brincar, o direito à cultura, o direito de ser protegido de exploração e abuso de todos os tipos, o direito de ter sua voz ouvida e suas opiniões levadas em consideração.
Os direitos das crianças são centrais para criar um mundo com paz, equidade, segurança e respeito ao meio ambiente.
Nós devemos às nossas crianças o melhor que temos a oferecer.
Ajude a criar um mundo melhor para cada criança!
FRAGMENTO PELA PASSAGEM DOS DIAS – DAS CRIANÇAS, DOS PROFESSORES E DA SANTA PADROEIRA



- Postado por: às 09h06


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FRAGMENTOS DE PRIMEIRA-DAMA


Caros,

Independente do voto de cada um, que é escolha pessoal, acredito que há algumas lições a serem aprendidas com o processo eleitoral em curso.

E há alguns textos em circulação (poucos, é bem verdade) que são formativos, porque a despeito do autor de qualquer escrito sempre ter um posicionamento (nem que seja o de não se posicionar) esses textos (para além dos argumentos interessados em convencer a votar neste ou aquele candidato) nos ensinam a pensar sobre esse processo que estamos vivendo e o que ele de fato representa para o nosso país.

É o caso do texto da Maria Rita Kehl, que de tão pedagógico, rendeu-lhe uma demissão do Jornal o Estado de São Paulo - http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/maria-rita-kehl-dois-pesos.html 

É o caso do texto do Juarez Guimarães - http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17059 

E é o caso deste, elogioso à figura da Dona Ruth Cardoso em detrimento de Monica e Weslian, essas criaturas que nos envergonham a cada dia. Por isso achei que era o caso de indicar aqui a leitura:

http://www.cartacapital.com.br/politica/o-levante-das-amelias-pitbull

http://chiarosscuro.blogspot.com/ | http://www.facebook.com/profile.php?id=100000740921648



- Postado por: às 08h55


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DOIS PESOS

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php

O Estado de São Paulo | 02 de outubro de 2010 | 0h 00

Maria Rita Kehl


Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. 

Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.



- Postado por: às 23h24


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Caros,

Ando pichando outros muros, por isso nem sempre rabisco esta página, o que requer um tempo maior de dedicação, como bem sabem...

Mas, assim que eu me desafogar do mar de coiseradas a fazer, volto a caraminholar por aqui, tá?

beijos

http://chiarosscuro.blogspot.com/                                                                 | http://www.facebook.com/profile.php?id=100000740921648

IMAGENS Leonardo Soares | TEXTOS Rosaura Soligo

as metáforas desta página – em luz e sombras, ponto e vírgulas – são portas entreabertas.
(único argumento cometido aqui)
porque isso de explicar não é coisa que as imagens merecem.
porque isso desanima o direito de imaginar.

 

só o amor sustenta a escuta e o olhar

 



- Postado por: às 20h59


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FRAGMENTO DE DIVERS IDADES

Queridos,

Nestes quase cinco anos de Fragmentos, foram poucas as vezes que postei vídeos aqui...

Mas este que recebi hoje merece integrar o acervo de mensagens desta página porque é um legítimo fragmento de discurso amoroso.

Postei também no facebook, na sequência desta Invenção Humana

Tem gente que se encontra e celebra várias invenções maravilhosas em um único dia: 'O mundo não é. O mundo está' [Paulo Freire] | 'A possibilidade é o movimento do mundo' [Boaventura de Souza Santos] | 'O que importa é caminhar, encontrar e celebrar' [um professor da Bahia].

e depois deste comentário:

As possibilidades que movimentam o mundo e a vida vão de todos os lados para todos os lados... quem quiser que execute suas invenções.

Mas com tem gente que ainda não aderiu a essa delícia que é uma rede social 'aberta' e plural, vai também por aqui:

Rehab - The Jolly Boys ( Modern Mento version of Amy Winehouse's hit)

www.youtube.com



- Postado por: às 21h51


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Caros,

Hoje, ao acordar, tive uns pensamentos sobre nós humanos e então escrevi isso aqui lá na página do Facebook:

Invenção humana (32): Tem gente que tem como projeto de vida ser especial para as pessoas, tem gente que precisa ser especial só para quem lhe interessa, tem gente que quer ser especial só para si mesmo e tem quem não tá nem aí para isso e empurra a vida com a barriga. De qualquer forma, é como diz o Call.: No espelho, não enxergamos nosso reflexo, mas uma conjectura: o que vêem os outros quando olham para nós?

Na verdade, tive um encontro na sexta-feira desses de revitalização do sentido da amizade e rolaram lá umas conversas que me levaram a essa Invenção...

A questão, me parece, é que talvez seja preciso identificar de que tipo somos nós e de que tipo são nossos queridos.

Um de vocês escreveu um dia no/s Fragmentos:

Devo confessar que tenho problemas com esse negocio de amigos e amigas, me dá uma canseira! Sabe, pra mim essa coisa de amizades tem muitas regras, códigos de conduta, de fidelidade, de não sei mais o quê...que me cansa antes de começar! Acho que vou pro divã...

Então, acho que essas tais ‘regras e códigos e não sei mais o quê’ têm talvez a ver com uma certa incompatibilidade de estilo dos que demandam e dos que são ou não atendidos em suas necessidades: 

= gente a fim de ser especial para as pessoas tende a não ter problema com essas demandas (tempo, dedicação, delicadezas, agrados...) 
= gente que só se ocupa com quem lhe interessa mais deve ter dificuldade em atender quem não lhe interessa especialmente
= gente que na prática só se ocupa consigo mesmo deve ter dificuldade geral com qualquer demanda 
= e gente que empurra a vida na total alienação nem sabe do que a gente ta falando, não é mesmo?

Portanto, se for mesmo assim, é preciso ter como critério para escolher as pessoas do convívio justamente o estilo de querer e de atender. Parece que é isso...


- Postado por: às 16h54


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INVENÇÃO HUMANA - cont

Invenção humana (11): Tem gente, como o Affonso Romano de Sant'Anna, que acha que cada qual deve ter um jeito de deflagrar sua luz aprisionada. [O incêndio de cada um - http://mylcedro.multiply.com/journal/item/95/95]

Invenção humana (12): Tem gente, que nem a Rosa Montero, que acha que a alienação passageira da paixão é uma doidice socialmente admitida, uma válvula de escape que nos permite continuar sendo equilibrados em todo o resto: o maior invento das nossas existências inventadas, a sombra de uma sombra, a pessoa adormecida que sonha que está sonhando.

Invenção humana (13): Tem gente que aprendeu a, na certeza ou dúvida, se juntar com os oprimidos – mais do que nós, mais do que os outros, mais do que todos, eles devem saber o que é bom pra tosse. PT, saudações.

Invenção humana (13-B): Tem gente que tem filhas que afirmam que certos personagens da vida política nacional são constitutivos do seu repertório de infância (como Dom Quixote, Papai Noel, Chapeuzinho Vermelho etc) e que não há como se apartar deles, mesmo em momentos de desilusão.

Invenção humana (13-C): Tem gente que acha que às vezes a situação é uma e às vezes a situação é outra. Pode ser só não ter medo de ser feliz. Mas também pode ser só não ficar mais infeliz ainda.

Invenção humana (14): Tem gente que não sabe o que quer, tem gente que sabe mas não tem o que quer e tem gente que tem tudo mas não sabe nada...

Invenção humana (15): Tem gente que diz que os inteligentes são piores, porque eles têm argumentos.

Invenção humana (16): E tem gente que acha que, quando os inteligentes são racionais assumidos, eles podem ser perigosos. Porque lá pelos subterrâneos há uma vida emocional ativa, clandestina deles próprios. Esses são aqueles que não alcançam as razões de certos acontecidos, que não sabem porque reagiram assim, que sequer se reconhecem às vezes. São como bomba-relógio e é melhor não chegar perto.



- Postado por: às 09h18


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